terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Alanis cumpriu uma missão na Terra. Ela é um anjo"


Em meio a uma profunda dor, um exemplo de força e serenidade. Essa é a impressão que fica durante a conversa com a auxiliar de dentista Patrícia Laurindo, 26, mãe de Alanis Maria Laurindo de Oliveira, 5, raptada e morta na semana passada. Em entrevista a Imprensa, ela relembra os momentos felizes que passou com a filha e diz que a garota cumpriu uma missão aqui na Terra. ``Sou o que sou hoje graças à minha filha``, diz. A mãe de Patrícia, a aposentada Maria Socorro Laurindo, 65, concorda, acenando com a cabeça. Desde o início, os caminhos que ligam Alanis e Patrícia mostraram-se desafiadores. Por causa de um problema de saúde, a gravidez da menina foi considerada de risco. O temor só se dissipou quando a menina nasceu bem e cheia de vida. ``Ela era muito inquieta. Vivia correndo pela casa e subindo no sofá``, disse. Alanis gostava de brincar de boneca e de escolinha, com lápis e papel. Neste ano, a garota iria cursar o Infantil V (ex-Jardim II). No Natal do ano passado, ela viu ser realizado um sonho de muitas meninas de sua idade: ganhou uma boneca Barbie no amigo secreto realizado pela família. O apego à mãe era demonstrado nos pequenos atos, no ritual cumprido toda vez que pedia alguma coisa. ``Ela dizia -mamãe, mamãe- a toda hora. Para falar uma coisa comigo, tinha de dizer -mamãe- umas sete vezes antes``, conta Patrícia. A fé ampara a família de Alanis. Dá forças. Para Patrícia, o nascimento da filha possui um significado especial. ``Tenho certeza de que Deus mandou minha filha como um anjo pra mim. Ela me mostrou o caminho do bem. Veio com o propósito de juntar a minha família e a do meu esposo. Ela cumpriu uma missão na Terra, com certeza``, garante. O trauma causado por tudo que ocorreu impede Patrícia de voltar para casa, de rever o quarto da filha. Só a solidariedade dos moradores do Conjunto Ceará a motiva a permanecer no bairro. Ao contrário de muitos que pregam a pena de morte, a auxiliar não deseja que o acusado seja executado, mas que pague pelo crime que cometeu. ``Tem de haver um castigo, tanto na lei de Deus quanto na lei dos homens. Quero que ele seja encontrado, que ele seja preso e tenha o castigo dele. Quero que ele sofra, mas que não morra. A morte para ele seria uma salvação``, desabafa.