sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Rosa critica desordem nos movimentos sociais


Recentemente, ela esteve envolvida num escândalo em pleno Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-vereadora de Fortaleza e hoje militante do grupo Crítica Radical, Rosa da Fonseca foi expulsa do STF por rebelar-se contra a decisão dos ministros pela extradição do italiano Cesare Battisti. Ele é acusado de ter cometido quatro assassinatos durante a Ditadura Militar e está refugiado no Brasil.
O caso colocou-nos numa situação delicada com a Itália, que reivindica o retorno de Battisti para o cumprimento da sentença de prisão perpétua. Porém, dois anos após a entrada dele no País, nada foi decidido em definitivo. Caberá ao presidente Lula o veredicto. O empurra foi feito na mesma sessão da qual Rosa foi expulsa.
Ontem, a ex-parlamentar concedeu entrevista coletiva na Assembleia Legislativa. Rodeada de companheiros do Crítica e da ex-prefeita Maria Luíza Fontenele, Rosa considerou fundamental a pressão feita sobre os ministros e atribuiu a isso a não extradição imediata de Cesare. Contudo, reclamou da falta de apoio dos demais grupos de movimentos sociais.
Segundo Fonseca, a militância é fragmentada. “E há até um discurso por conta de disputa eleitoral. Há muita dificuldade de unificar o movimento. A gente procurava o pessoal e tinha gente que dizia que nos apoiava, mas tava mais preocupada em fazer greve ou reivindicar aumento salarial. Não entendiam que a nossa causa era muito mais do que pela vida do Cesare; era pela situação dos refugiados no mundo e pela não criminalização dos movimentos sociais, por exemplo”, revelou. O reconhecimento por parte de “companheiros de causa” só veio justamente por conta do episódio recente de confronto direto com o STF. “Depois, vinham nos falar da importância de a gente ter se mantido na luta”, acrescentou, adiantando que, mesmo com sinalizações positivas do Governo de manter Battisti no Brasil e com a mudança de tom do governo italiano, as articulações vão continuar. “Até mesmo pra esse pessoal que não nos apoiou repensar a postura”, alertou.
PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Os sujeitos das tais sinalizações, Rosa da Fonseca não revelou. Nem sob decreto. Questionada, apenas riu e admitiu ter feito contatos com membros do alto escalão do Governo. No máximo, colocou-se numa posição mais aliviada por saber que a luta do Crítica Radical pode, enfim, ser reconhecida. A possível decisão de Lula pela permanência de Battisti seria uma espécie de tapa na cara dos que taxaram-na de louca, principalmente depois da expulsão do STF. “Só tinha a Rosa na foto porque foi a que se estendeu no chão”, justificou, apontando para um recorte de jornal em que uma sequência de imagens foi colocada na primeira página. As fotografias expunham-na sendo jogada para fora do plenário por seguranças do Supremo. Ela chegou a ser carregada de ponta-cabeça.